27 dezembro 2012

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Querida Clare,
Sempre me imaginei a ser dona do mundo. Não teria ninguém que mandasse em mim, faria o que mais gostasse na vida e quando me apetecesse mudaria. Mas depressa me haveria de aperceber que mesmo que tivesse força de vontade, haveria sempre forças do desconhecido que não deixariam tal coisa acontecer. Porque tudo é controlado. Tudo é controlado por grandes cadeias que nos parecem ser apenas inocentes ao primeiro olhar e para muitos, o último. Comecei a perceber que, no futuro, apenas haveria tempo para a rotina e para o que todos acham que é o mais moral. E se eu não quiser isto?
Atenciosamente e sem tempo para mais,
Olivia Rose

26 dezembro 2012

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Entrámos na loja da esquina em passo acelerado e a porta esta acciona um pequeno sininho que alarma a loja de que chegámos. Observamos livros amontoados uns em cima dos outros e certas pessoas em cima de pequenos escadotes a tentarem chegar aos livros que se encontram nas prateleiras mais altas da loja. Todos nos acenam e nós retribuímos com um sorriso. A nossa assídua presença naquele lugar fez com que já fossemos reconhecidas pelos clientes do costume que ali se escondiam por momentos do mundo real e pelo Sr. Simão que não fechava a loja por um dia, nem que a deixasse aberta apenas pela manhã. Percorríamos os nossos dedos pelas estantes com um certo pó acolhedor e observávamos o que cada um lia. Como era habitual, a Dona Margarida encontrava-se de volta dos livros de receitas e o Sr. Carlos lia com intriga os livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Também estava lá a menina Sofia que só lia romances e andava pelas ruas de livro contra o peito a suspirar. Eu ia aos meus habituais livros de poesia e tu dirigias-te à secção dos livros sobre música e teatro. Era o nosso pequeno mundo que ninguém nos poderia negar.
London, 1970, Olivia Rose