30 março 2013

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Dear Clare,
Actualmente passas-me os dias a perguntar como estou tão feliz, como consegui chegar ao topo do mundo. Sempre te respondo com um sorriso e deixo-te por entre esses teus pontos de interrogação, ansiosa por saboreares um pouco desta minha felicidade um tão ou pouco contagiosa. Sabes que nem sempre foi assim. Já estive nas montanhas mais altas, como nas fossas mais profundas. Também já pensei que nunca mais voltaria a ser minimamente feliz e outros dias andava como querendo ser intocável de tanta a felicidade que carregava. Mas não nos podemos isolar, porque assim não desfrutamos de tal coisa, não melhoramos da nossa mágoa e a vida continua. Percebi isso aos 15 anos e ainda bem que tal me aconteceu. Tive sorte, por ter sido tão nova assim, mas talvez me limitou um bocado por ter mudado de mentalidade em comparação com as pessoas da minha idade. Apenas tinha pequenos detalhes que me ajudavam, mas prossegui e reflecti muito antes de agir. Tudo leva o seu tempo, mas não penses muito sem agir, porque assim é que vais presenciar a tão dita frase que o tempo não pára e que não o conseguimos disfrutar. Vês onde eu estou agora? No topo do mundo! mas também sei que vai haver oscilações, mas o que se há-de fazer? O que seria a vida sem isto?
Da tua amiga sempre,
Olivia Rose

27 março 2013

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Os teus dedos tocaram nas minhas costas, seguindo a minha coluna, com esse teu leve toque de gelo. Arrepiei-me de leve, mas fiz com que não te apercebesses. Era como se os meus músculos de aliviassem como numa dança, seguindo teu toque. O meu coração contrai-se como se se esforçasse para não sair do meu peito. Pousas o teu rosto nas minhas costas; fecho os olhos. Podíamos-nos emoldurar e deixar-nos ficar assim. Para sempre. Intocáveis.
Dos teus sonhos,
Olivia Rose

26 março 2013

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Coloquei os fones nos ouvidos e o mundo era meu por mais um bocado. Não sinto, não reflito. Não nada, apenas oiço. Oiço e não me preocupo com o mundo lá fora... E é assim que sobrevivo dia após dia.
Olivia Rose

24 março 2013

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Coloquei o disco no gira-discos e mal ouvi a primeira nota, afastei-me e comecei a dançar, e a rodopiar. O mundo era só meu enquanto dançava e ninguém olhava, até que embati em algo. Depois de um pouco atordoada do susto, pegaste na minha mão levemente e juntaste-me mais perto de ti começando a baloiçar. Dançámos, dançámos e só parámos quando caímos no chão a rir. E é por estes momentos que eu gosto tanto de ti.
Da tua dançarina,
Olivia Rose

23 março 2013

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Com pezinhos de lã, circundei a cama e agachei-me para me meter dentro dos lençóis. Com movimentos leves coloquei-me do teu lado e peguei no teu braço envolvendo-me. Mantive-me em conchinha e passado pouco tempo, delineaste o teu corpo ao meu. Com a tua respiração a envolver-me o pescoço, estremeci, sorri e adormeci a pensar em ti.
Sempre perto de ti,
Olivia Rose

22 março 2013

sinuses:

A still from “Der geteilte Himmel” (The Divided Heaven), an East German film directed by Konrad Wolf in 1964.
Por momentos tive que te agarrar bem a mim pelo medo de te desmoronares diante de mim. Não te falei nada, para não te sentires fraco do meu lado, não te quis tirar a força que tal eu achara que te restara apenas. Segurei-te perto de mim e encostei-te de leve contra o meu peito. Por ventura, conseguirias-te acalmar ao ouvir o batimento do coração. Eu própria estava destroçada ao ver-te assim. Não te culpo por isso, isto é algo normal. Mas fico destroçada ao imaginar pelo que podes estar a pensar neste estado.
Para meu alívio rapidamente me pegas pela cintura e me beijas. Beijas-me de leve e deixas ficar o teu rosto encostado ao meu.
I'm here by your side. 
Always yours,
Olivia Rose

06 janeiro 2013

Dear Clare,
Provavelmente não sabes cozinhar, com essa tua falta de jeito, mas eu explico-te como é. Vais comprar os produtos e escolhe-os bem. Não muito 'verdes', nem muito 'maduros'. Acreditas que é dessa vez que vais conseguir fazer algo com aquela divisão da qual não tens dado muito utilidade. Pagas o que deves, carregas tudo o que quiseste até ao carro e depois a parte mais difícil, ganhas coragem para acender o fogão e tirares da gaveta aquela faca enorme da qual tens um enorme medo de pegar, com essa tua falta de jeito. Podes aceder à Internet e ver alguma receita mais fácil... Ou ainda ver programas na televisão sobre culinária, para ver se ganhas o jeito à coisa. Podes-me ligar e pedir supervisão para não deitar fogo à casa. Respiras fundo e segues as instruções. Quando acabas, dás um toque teu e metes a refeição bonitinha para dar um gosto à coisa, para pelo menos disfarçar essa tua falta de jeito, se não conseguires vingar com essa tua refeição. Convidas-me a provar e esperas pela decisão. Esteja bom ou mau, o que eu quero dizer é...
Com essa tua falta de jeito, muita gente te pode desencorajar, mas tu, sem medo terás de experimentar e errar, nem que seja em segredo, para ninguém te ver fracassar à primeira, à segunda, à décima vez... Porque  no fundo, o que é mais difícil é começar e quando lhe apanhas o jeito, consegues vingar. Há que tentar. Há que no início, treinar tudo ao pormenor, para depois de olhos tapados, triunfares. Sim, porque daqui a nada és tu que lhes ensinas uma lição. Tudo para te dizer que não te deves rebaixar com os outros e mostrar-lhes que afinal tens jeito para a coisa. Mas nunca te dês como garantida e olha sempre por cima do ombro, combinado?
Sincerely,
Olivia Rose

03 janeiro 2013

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Dear Clare,
No meio de desavenças e lutas com o meu ser, acordei e senti-me em falta. Uma falta que nunca achara que teria... Mas com certas qualidades e defeitos que possuo, certos pensamentos, isto seria inevitável. Olho à minha volta e no fundo não é mais do que parece. Muitos dirão que é normal, que estão no mesmo caso, mas faz-me sentir um pouco mal e sei que a culpa é totalmente minha. Poderá ser apenas uma questão de tempo, de desentendimentos, mas as minhas incertezas começam-se a revelar certezas. E este é o tempo em que tenho que mudar, ainda não sei como haverei de fazer, mas até que com este novo ano, terei de o tentar pelo menos.
I'll hope for the best,
Olivia Rose

02 janeiro 2013

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Dear Clare,
Vamos tentar recomeçar. Vamos esquecer o passado e não esperar pelo futuro. Usufruir até ao último piscar de olhos este momento, porque o futuro próximo é daqui a um segundo, estando eu a escrever estas palavras e, já se foi. Se o usei bem? Talvez. Tudo está interligado e pode ser que estas palavras me ajudem a reconhecer o melhor que há da vida.
Vamos tentar recomeçar. Fazer o que fizemos de bem e talvez o que fizemos de mal, mas com simples mudanças, porque se não tudo seria deitado fora e tudo que aprendeste seria em vão. Vais repensar melhor no que fazer e no que fizeste até aí, porque tudo o que passaste tem sempre algo que haver com futuro. 
Vamos tentar recomeçar. Vais colocar de novo esse vinil e deixar que a agulha leia a música aí gravada. Vais ouvi-la com mais atenção e com mais sabedoria e aí saberás o que fazer. Não faças os mesmos erros, mas isso não quer dizer que não tenhas que te enganar. A primeira vez é para aprender, as seguintes já são para triunfar.
Atenciosamente,
Olivia Rose

01 janeiro 2013

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Festejámos as doze badaladas com duas garrafas de champanhe, agarrados debaixo dos lençóis, no sofá do teu terraço. Vi o fogo de artifício com a minha cabeça pousada no teu ombro e ouvimos as pessoas a festejarem lá fora. Era um novo ano, seria uma nova meta, mas na realidade, não precisávamos deste dita celebração para começarmos ou mudarmos algo. Era doce festejar ao teu lado, então esta dita celebração e posteriormente citar que comecei o ano com o pé direito. Não chovia, estava uma leve brisa a rodopiar no ar e até que era uma noite bem agradável.
2013, Paris, Olivia Rose

30 dezembro 2012

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E o tempo vai atravessando por entre as nossas pernas, com pressa para não se atrasar nem por um segundo. A minha preguiça não me deixa mexer e vou observando os momentos a acontecerem à minha volta. Não faço nada quanto a isso, apenas reflicto como seria se me mexesse. Seria bom e principalmente tudo o que desejo, mas quando experimento um bocado, acho demasiado aborrecido. Talvez eu seja aborrecida, talvez não me contente com o que os outros mais gostam de fazer ou não fazer nada de jeito. Ou até gabarem-se de algo entediante, parecendo algo em demasia. Sinceramente não sei o que pensar. Concentro-me no meu futuro, porque sei que aguento sozinha, mas não aguento pensar que vou continuar a lutar na minha vida sem ninguém ao meu lado, sem ninguém com quem falar. Sou demasiado mesquinha para pensar nisso, porque na verdade é que nada acontece, apenas vou fazendo o que me é pedido e nem dou o meu melhor e posteriormente não recebo o que pretendo. Talvez este novo ano me ajude, mas quero mudar, mas preciso das pessoas certas e estou farta de ver as mesmas paisagens e indivíduos.
Olivia Rose

29 dezembro 2012

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Talvez eu realmente temo as pessoas e não é só invenção da minha mente. Talvez porque sei de mais e não consigo filtrar essa informação. Talvez por me apenas estar a auto preservar. Mas o tempo está a ficar escasso e eu não posso esperar, tenho que arriscar. Sim, eu fico bem comigo mesma, mas não quero ficar assim para sempre. Por favor não sejas nem oito nem oitenta, porque isso não te vai servir de nada.
Espero ansiosamente por algo mais,
Olivia Rose 

27 dezembro 2012

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Querida Clare,
Sempre me imaginei a ser dona do mundo. Não teria ninguém que mandasse em mim, faria o que mais gostasse na vida e quando me apetecesse mudaria. Mas depressa me haveria de aperceber que mesmo que tivesse força de vontade, haveria sempre forças do desconhecido que não deixariam tal coisa acontecer. Porque tudo é controlado. Tudo é controlado por grandes cadeias que nos parecem ser apenas inocentes ao primeiro olhar e para muitos, o último. Comecei a perceber que, no futuro, apenas haveria tempo para a rotina e para o que todos acham que é o mais moral. E se eu não quiser isto?
Atenciosamente e sem tempo para mais,
Olivia Rose

26 dezembro 2012

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Entrámos na loja da esquina em passo acelerado e a porta esta acciona um pequeno sininho que alarma a loja de que chegámos. Observamos livros amontoados uns em cima dos outros e certas pessoas em cima de pequenos escadotes a tentarem chegar aos livros que se encontram nas prateleiras mais altas da loja. Todos nos acenam e nós retribuímos com um sorriso. A nossa assídua presença naquele lugar fez com que já fossemos reconhecidas pelos clientes do costume que ali se escondiam por momentos do mundo real e pelo Sr. Simão que não fechava a loja por um dia, nem que a deixasse aberta apenas pela manhã. Percorríamos os nossos dedos pelas estantes com um certo pó acolhedor e observávamos o que cada um lia. Como era habitual, a Dona Margarida encontrava-se de volta dos livros de receitas e o Sr. Carlos lia com intriga os livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Também estava lá a menina Sofia que só lia romances e andava pelas ruas de livro contra o peito a suspirar. Eu ia aos meus habituais livros de poesia e tu dirigias-te à secção dos livros sobre música e teatro. Era o nosso pequeno mundo que ninguém nos poderia negar.
London, 1970, Olivia Rose